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Oficina | A Tragédia e o século XX - Atualidade e Mito

Paulina Terra Nólibos
A Tragédia Grega ocupa ainda hoje um espaço privilegiado na literatura mundial, com sua profunda reflexão sobre problemas éticos e seu estilo inconfundível de teatro. Inúmeros autores se propuseram a reler e fazer suas próprias incursões nos mitos, muitas vezes alterando-os significativamente, dotando-lhes de novos sentidos e dialogando com mudanças intrínsecas ao seu próprio tempo. Para encerrar o ano de 2016, num momento crivado de dúvidas e conflitos, a Oficina de Mitologia não poderia se furtar a discutir também as radicais possibilidades que a tragédia apresenta no século XX, em rumo ao XXI. Três grandes autores foram escolhidos, com diferenças estéticas, e sérios posicionamentos filosóficos e políticos, para nos dar uma breve visão da atualidade da tragédia e sua significação para a História.
Jean Cocteau, Jean-Paul Sartre e Heiner Müller serão nossos objetos de estudo, cada um com uma nova leitura de tragédias memóráveis, como Édipo Tirano, de Sófocles; As Coéforas, de Ésquilo, ou Electra, de Sófocles; e Medéia, de Eurípides. Os autores em questão, além de retomarem a temática antiga, acrescentam suas próprias investigações e reescrevem o passado com vistas ao presente do século e ao futuro.
 
Aula 1 - 01/12: Máquina Infernal, de Jean Cocteau. Esta peça de teatro reinstaura a discussão sobre Édipo, a partir de referências ao Hamlet, de Shakespeare, e ao texto fundador de Sófocles, nos oferecendo uma magistral releitura, escrita por um dos expoentes do Surrealismo francês na literatura. A obra, de 1928, oferece ums singular abordagem sobre a Esfinge e um final lírico ao mito. Sua encenação, na França, contou com o cenário de Picasso e a interpretação de Tirésias por Antonin Artaud, fazendo história na vanguarda.
 
Aula 2 - 08/12 - As Moscas, de Jean-Paul Sartre. Peça escrita logo após a Segunda Guerra, em 1948, esta releitura do mito dos Atridas, faz alusão tanto ao texto de Ésquilo quanto ao de Sófocles, que orbitam ambos sobre a mesma parte da narrativa, qual seja, a morte de Clitemnestra e de Egisto por Orestes e Electra, o matricídio. Sartre, que já delineara as bases do movimento existencialista na época, expõe nesta peça um de seus temas privilegiados, o da liberdade humana, e sua relação com a responsabilidade ética. Importante marco filosófico, o texto não só se aproxima de problemas atuais como lança nova luz sobre as alternativas do humano frente a uma ordem fracassada. Serviu como metáfora para as proposições do existencialismo ateu de Sartre e sua defesa da autonomia do homem frente ao divino.
 
Aula 3 - 15/12 - Medeiamaterial - de Heiner Müller. A mais recente das peças, do último quartel do século XX,  se distancia da antiga tragédia, escrita por Eurípides, em vários sentidos. Müller escreve num estilo pós-moderno, dando espaço à fragmentação e a um universo de imagens dissonantes, numa projeção bastante crua do mundo contemporâneo. Ainda assim, Medéia permanece ligada a sua figura antiga, desvinculada da História, que segue adiante através da experiência de Jasão. Numa sobreposição de visões, com quase completa ausência de diálogos, nos é descortinado um assustador presente, no qual a desconstrução da figura masculina e o fracasso por detrás do heroísmo remetem às mais recentes experiências dos governos totalitários da URSS, locus de enunciação do autor e igualmente ao capitalismo ocidental.

Informações deste Evento


Docente(s): Paulina Terra Nólibos Quando: Dias 01, 08 e 15 de dezembro de 2016, quintas-feiras, das 14h às 17h Vagas disponíveis: 15 Duração: 9h (3h/aula) Valor(es):

R$380,00 (Público geral)

R$345,00 (Professores, estudantes e ex-alunos)


Oficina | A Tragédia e o século XX - Atualidade e Mito
Áreas de Interesse : Psicanálise, Mitologia, História da cultura,

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